Campanha ‘Mesmo que ninguém veja’ mobiliza Diocese de Campina Grande contra a violência à mulher
“É com muito gosto que vamos abraçar essa causa.” Foi com essa declaração que o bispo da Diocese de Campina Grande, Dom Dulcênio, confirmou a adesão às ações da campanha “Mesmo que ninguém veja”, que busca prevenir e combater a violência contra a mulher e o feminicídio por meio da conscientização, da orientação e do acolhimento às vítimas.
As ações da campanha foram apresentadas na manhã desta terça-feira (27), no Seminário da Diocese de Campina Grande, durante encontro que reuniu integrantes do clero, seminaristas e representantes das pastorais, dos serviços, das comunidades e das foranias da região. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Poder Judiciário estadual, por meio do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), e a Arquidiocese da Paraíba.
A coordenadora da Mulher do TJPB, juíza Graziela Queiroga, e o coordenador da campanha pela Arquidiocese da Paraíba, Padre Mário Costa, conduziram a apresentação, com o detalhamento dos objetivos e das estratégias da iniciativa, além da divulgação dos materiais informativos, como cartazes e folders. O encontro também buscou orientar os participantes sobre como contribuir para a identificação de situações de violência e o encaminhamento das vítimas à rede de proteção.
A magistrada Graziela Queiroga agradeceu o apoio da Diocese de Campina Grande, representada por Dom Dulcênio, e ressaltou a importância do envolvimento da Igreja no enfrentamento à violência contra a mulher.
“Ficamos realmente felizes, porque entendemos a essencialidade da Igreja nesse combate, nesse enfrentamento, que há muito deixou de ser uma questão restrita à Justiça e se tornou um problema social, no qual todos precisam se envolver”, salientou.
A coordenadora da Mulher observou que as igrejas constituem espaços estratégicos para a prevenção e a disseminação de informações, contribuindo para que as mulheres reconheçam as situações de violência e encontrem caminhos para romper esse ciclo. Ela destacou, ainda, a ampliação do enfoque da campanha, que também passa a priorizar a orientação e o acolhimento das vítimas, com informações sobre os canais e serviços disponíveis para buscar ajuda.
“É isso que levamos para a Igreja como um todo e para a Diocese de Campina Grande: informações sobre a rede local de apoio, para que sacerdotes e leigos envolvidos nas atividades da Igreja, ao tomarem conhecimento de situações de violência doméstica, possam orientar essas mulheres a buscar ajuda, recorrer ao sistema de Justiça, formalizar a denúncia, procurar os centros de referência, as delegacias especializadas e os demais serviços da rede de proteção para romper esse ciclo”, enfatizou Graziela Queiroga.
Expansão da campanha na Diocese
O bispo Dom Dulcênio destacou o engajamento da Diocese de Campina Grande na campanha, que contará com a mobilização das 11 foranias da região e ações de conscientização junto aos sacerdotes. Ele ressaltou que as iniciativas também serão disseminadas pelas pastorais e pelos serviços da Igreja, a exemplo da Pastoral Familiar e do movimento Encontro de Casais com Cristo (ECC), especialmente durante os cursos de preparação para o matrimônio.
“Acredito que, a partir dessa parceria, vamos trabalhar melhor essa questão, sobretudo por meio de formações. Temos os cursos de noivos, o Encontro de Casais com Cristo e a própria Catequese, espaços nos quais queremos priorizar, em nossas reuniões, informações sobre a proteção da mulher. Estou muito esperançoso, porque essa iniciativa representa a união do trabalho social com o nosso trabalho pastoral”, afirmou Dom Dulcênio.
Para o Padre Mário Silva, um dos pontos centrais da campanha é dar visibilidade à violência que permanece oculta dentro dos lares. Ele destacou que muitas situações não deixam marcas físicas aparentes, mas provocam sofrimento e precisam ser reconhecidas e enfrentadas.
“Nos atendimentos e nos confessionários, acolhemos muitas pessoas que relatam situações de violência, tanto contra a mulher quanto de outras naturezas, incluindo a violência doméstica. Diante dessa realidade, percebemos a necessidade de ajudá-las. Precisamos aprimorar cada vez mais nossa capacidade de acolher e tomar a iniciativa. É fundamental agir para conter essa onda de violência, ouvindo as vítimas e encaminhando-as aos serviços adequados. Para isso, contamos com grupos de apoio e de escuta, que são instrumentos colocados à disposição da comunidade”, enfatizou o sacerdote.
Capilaridade da Igreja
Designado por Dom Dulcênio para coordenar a campanha “Mesmo que ninguém veja” na Diocese de Campina Grande, o Padre Danilo César destacou que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma responsabilidade coletiva. Segundo ele, a ampla presença da Igreja Católica na região favorece a disseminação de informações e o fortalecimento das ações de prevenção, orientação e acolhimento às vítimas.
“Estamos presentes desde as pequenas comunidades, nos locais mais remotos do interior do nosso Estado, até a Catedral, que é o centro da nossa Igreja e da nossa fé. Essa capilaridade tem muito a contribuir, sobretudo na disseminação de informações, na prevenção e na orientação sobre os caminhos e os serviços disponíveis para acolher e proteger as mulheres diante da violência, que é recorrente e cujos números estão aí para nos alertar. Por isso, a Igreja tem muito a contribuir nesse enfrentamento”, afirmou o sacerdote.
Violência atinge mulheres de diferentes realidades sociais
A coordenadora do Conselho dos Leigos, Teresa Primo, ressaltou a importância do envolvimento da Igreja no enfrentamento à violência contra a mulher, especialmente por meio da participação dos fiéis. Segundo ela, a experiência de escuta e o contato com relatos de violência demonstram que o problema atinge mulheres de diferentes classes sociais, níveis de escolaridade e áreas profissionais.
“É muito importante o nosso envolvimento nesse trabalho, porque lidamos com diversos casos que envolvem pessoas de diferentes realidades, desde aquelas de baixa renda até as de maior poder aquisitivo. O que percebemos, principalmente, é o preconceito e o medo de denunciar que afligem as vítimas. Muitas vezes, a própria casa, que deveria ser um lugar de proteção, torna-se um ambiente de ameaça à vida, não apenas da mulher, mas também de seus filhos. E essa violência não se manifesta somente de forma física, mas também psicológica”, alertou Teresa Primo.
Por Lila Santos

