Ação do Judiciário e da Pastoral Carcerária garante 264 livros a mulheres custodiadas
Uma inspeção realizada pelo Poder Judiciário estadual na Cadeia Pública Feminina de Cajazeiras foi o ponto de partida para uma campanha de arrecadação que resultou na doação de 264 livros de cunho religioso às mulheres custodiadas na unidade. A iniciativa surgiu a partir de uma demanda apresentada pelas próprias detentas ao então juiz das Execuções Penais da Comarca, Ricardo Henriques Pereira Amorim, que buscou viabilizar a aquisição dos exemplares com o apoio da Pastoral Carcerária e da Secretaria de Administração Penitenciária, por meio da direção do estabelecimento penal.
Atualmente titular da Comarca de São José de Piranhas, o magistrado Ricardo Henriques Pereira destacou que a leitura constitui um importante instrumento de desenvolvimento humano, capaz de despertar virtudes, estimular o autoconhecimento e fortalecer valores, contribuindo para o processo de ressocialização das mulheres privadas de liberdade.
“Esse potencial transformador se torna ainda mais concreto e efetivo quando a sociedade, por meio da atuação dedicada da Pastoral Carcerária, une esforços ao sistema penal para garantir o acesso a essas obras literárias”, ressaltou Ricardo Henriques. Segundo ele, ao dar visibilidade à ação é também com o propósito de estimular a realização de projetos semelhantes em outros municípios.
Para a diretora da unidade prisional, Renata Karine Marques Pena, a ação contribui para promover a dignidade, a reflexão e a ressocialização das reclusas, reafirmando que a Justiça também deve atuar por meio da humanização e da esperança. Segundo ela, a leitura pode transformar o ambiente prisional em um espaço de reconstrução pessoal, contribuindo para o fortalecimento de valores e para a preparação das mulheres para o retorno à sociedade.
“Ao possibilitar o acesso a livros de cunho espiritual, oferecemos a elas oportunidades de reflexão, fortalecimento interior e esperança, elementos importantes para enfrentar a realidade do cárcere. A parceria entre o Judiciário, a Pastoral Carcerária e a unidade prisional demonstra que a atuação da Justiça não se limita à aplicação da pena, mas também contempla iniciativas de humanização e de apoio à reintegração social” , enfatizou.
O coordenador da Pastoral Carcerária de Cajazeiras, Tiago Oliveira, explicou que a campanha foi realizada com o objetivo de suprir a escassez de exemplares disponíveis na unidade e, assim, possibilitar a continuidade do acesso das custodiadas ao programa de remição de pena pela leitura, que permite a redução da pena mediante a elaboração de resenhas sobre as obras lidas.
A mobilização contou com a participação de cinco paróquias do município, além do apoio do clero e da comunidade. Ao final da campanha, foram arrecadados e catalogados 264 livros, posteriormente entregues à direção da Cadeia Pública Feminina de Cajazeiras, para utilização nas atividades relacionadas à remição de pena e à ressocialização das custodiadas.
“A Pastoral Carcerária atua na promoção da dignidade dentro dos presídios por meio de parcerias com o Judiciário e com as direções das unidades, contribuindo em ações voltadas a melhorias estruturais, revisão de penas e remição pelo trabalho, além de prestar assistência às famílias das custodiadas”, ressaltou Tiago Oliveira.
O coordenador avaliou que a campanha alcançou resultado positivo graças à mobilização da comunidade e ao apoio do Poder Judiciário, fortalecendo a parceria em torno de um objetivo comum. “Sabemos que, cada vez mais, precisamos estar de mãos dadas, com um objetivo comum, que é a ressocialização dessas mulheres. Nosso agradecimento a todos os padres que nos apoiaram nessa campanha, assim como a cada pessoa que dedicou atenção a esta causa”, frisou.
Por Lila Santos

