Maria Lindalva: a primeira juíza da Comarca da Capital que abriu caminhos para as mulheres na magistratura paraibana
A coragem de não se intimidar diante do preconceito e a determinação de conquistar seu espaço em um ambiente tradicionalmente masculino marcaram a trajetória de Maria Lindalva da Silva, reconhecida historicamente como a primeira juíza da Comarca da Capital, em João Pessoa. Empossada em 1965, ela construiu uma carreira pautada pela firmeza, pela independência e pelo respeito à lei, tornando-se uma referência para as mulheres que vieram depois dela na magistratura paraibana.
Aos 88 anos, Maria Lindalva compartilha suas memórias no projeto Memória Viva do Poder Judiciário, do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB). No depoimento, revisita os desafios enfrentados ao longo da carreira e revela a postura que adotou para exercer a magistratura em uma época na qual a presença feminina ainda era rara nos espaços de poder.
Conhecida pela personalidade forte e pela postura rigorosa, a magistrada não permitia que as críticas interferissem em suas decisões. Em um dos trechos destacados da entrevista, ela relembra que agia de acordo com a própria consciência e com o que determinava a lei, sem se deixar influenciar pelas opiniões contrárias.
A firmeza foi uma característica importante para conquistar respeito em um ambiente no qual as mulheres precisavam superar barreiras para ter sua competência reconhecida.
À frente de seu tempo, Maria Lindalva não se deixou intimidar pelo preconceito e demonstrou que preparo, autonomia e convicção eram fundamentais para ocupar espaços historicamente reservados aos homens.
Uma escolha por novos horizontes
Apesar de seu pioneirismo na magistratura paraibana, Maria Lindalva decidiu deixar a carreira no Judiciário para seguir como auditora do Tesouro no Rio Grande do Norte. A decisão foi motivada pelas limitações que identificava, naquele contexto histórico, para a ascensão das mulheres ao cargo de desembargadora. Com o desejo de continuar crescendo profissionalmente, buscou novos caminhos para desenvolver sua carreira.
Sua trajetória revela não apenas as dificuldades impostas às mulheres de sua geração, mas também a determinação de quem não aceitava que as limitações de uma época definissem até onde poderia chegar. Ao buscar outras oportunidades de crescimento, Maria Lindalva reafirmou a importância da autonomia e da liberdade de escolha na construção de uma carreira.
Uma mensagem para as novas gerações
A experiência de quem precisou abrir caminhos também se transforma em incentivo para as mulheres que hoje atuam ou desejam ingressar nas carreiras jurídicas. Em outro trecho destacado do depoimento, Maria Lindalva transmite uma mensagem de confiança: quando há preparo, é possível vencer os obstáculos e alcançar os objetivos.
A declaração reforça a importância da formação e da perseverança para superar barreiras e conquistar espaços. Mais do que recordar uma trajetória individual, o depoimento resgata parte da história da participação das mulheres no Judiciário paraibano e valoriza o legado de quem contribuiu para ampliar as possibilidades das gerações seguintes.
Preservar a história, valorizar quem a construiu
O episódio integra o projeto Memória Viva do Poder Judiciário, iniciativa da Comissão de Cultura e Memória em parceria com a Gerência de Comunicação do Tribunal de Justiça da Paraíba. A ação busca preservar a memória institucional por meio de depoimentos de magistrados e servidores que participaram da construção da Justiça paraibana.
A entrevista completa com Maria Lindalva da Silva está disponível na íntegra no site oficial do TJPB e no canal do Tribunal no YouTube. O registro mantém viva a história de uma mulher que enfrentou os limites de seu tempo e deixou uma contribuição importante para a memória da magistratura no estado.
Por Ludmila Costa
Arte: Taiane Marques

