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Publicado em: 26/09/2013 - 15h50 Atualizado em: 26/09/2013 - 16h08

Exposição sobre a “Negra Gertrudes Maria” recebe cerca de 400 visitantes

Em torno de 400 pessoas visitaram, até a manhã desta quinta-feira (26), a exposição “Negra Gertrudes Maria” no Museu e Cripta de Epitácio Pessoa, no Palácio da Justiça, em João Pessoa. A exposição trata da história da primeira escrava paraibana a conquistar sua alforria e que lutou 14 anos na Justiça para não ser vendida ilegalmente em praça pública por seu ex-proprietário, enfrentando os poderosos da época, inclusive a Igreja.

O evento termina nesta quinta-feira e faz parte da 7ª Primavera dos Museus, que tem como tema deste ano “Museus, memória e cultura afro-brasileira”.

O Grupo de Idosos Esperança Divina da Igreja São Pedro Gonçalves, alunos do Colégio da Polícia Militar Fernando
Moura Cunha Lima e estudantes de Direito da Facisa de Campina Grande visitaram a exposição. Todos se mostraram surpresos com a história da escrava e ressaltaram a sua bravura em lutar pela liberdade, em uma época onde a sociedade não dava valor à mulher, tampouco negra e escrava.

Para Fátima Guimarães, coordenadora do Grupo de Idosos Esperança Divina da Igreja São Pedro Gonçalves, a história da Negra Gertrudes foi uma grata surpresa. Ela disse que ao ler o jornal no domingo se deparou com a história da Negra Gertrudes e logo se interessou em ver de perto a exposição.

“Achei a história dessa ex-escrava fantástica e nós, mulheres, nos orgulhamos. E depois a questão da história em si e da justiça sendo feita. Nós mulheres, de uma maneira geral, não temos vez e nem voz. E já naquela época já existia uma mulher com a cabeça de Gertrudes, entrar na Justiça, apesar de todas as dificuldades que ela teve, com certeza foi um grande marco para nós mulheres”, afirmou Fátima Guimarães.

A mesma admiração pela história da escrava tomou conta da idosa Socorro Lima, também do Grupo de Idosos Esperança Divina. Ela disse que nunca tinha ouvido falar na Negra Gertrudes e que estava orgulhosa de saber que as mulheres paraibanas têm uma representante de longos tempos. “A coragem que Gertrudes teve de enfrentar a justiça e se posicionar da maneira como ela fez, com a garra que tinha, sem condições financeiras, sem nada. Eu estou orgulhosíssima porque ela era uma mulher, paraibana, inteligente, corajosa e negra”.

Quem também demonstrou satisfação em conhecer a história da escrava alforriada foi o estudante Sérgio Henrique, aluno do Colégio da Polícia Militar Fernando Cunha Lima. Para ele, o exemplo de Gertrudes deve ser refletido por todos, para que ninguém desista dos seus sonhos.

“Ela foi uma pessoa muito corajosa, que lutou 14 anos pelos seus direitos e que enfrentou pessoas grandes da época. É uma história que nos leva a refletir que não devemos desistir dos nossos sonhos, dos nossos direitos. Ela era uma mulher, uma negra e conseguiu lutar na justiça com o seu patrão e sair vitoriosa. Isso dá para imaginar o quanto sofreu, o quanto foi difícil para Negra Gertrudes. Fiquei muito feliz em conhecer esta história”, afirmou Sérgio Henrique.

Na opinião do estudante Jefferson Luna, também aluno do Colégio da Polícia Militar, essa “é uma história interessante, porque mostra que a Negra Gertrudes fez uma revolução por procurar os seus direitos, mesmo na condição de escrava alforriada, numa época que o escravo não não tinha valor nenhum para a sociedade”. E acrescentou: “Ela foi uma heroína”

A professora Malba Santos, que acompanhou os alunos, disse que nunca tinha ouvido falar da Negra Gertrudes. “Achei bastante interessante a história e uma lição de vida, para a época, e também para nós hoje em dia. Nós temos que correr atrás de nossos direitos. Foram 14 anos lutando pela sua alforria e ela conseguiu. Mostra que não devemos desistir”.

Gecom – Eloise Elane

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