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Publicado em: 12/05/2015 - 22h07 Atualizado em: 13/05/2015 - 16h43 Tags: Negra Gertrudes

Exposição sobre o caso da Negra Gertrudes chega nesta quarta-feira ao Fórum Cível da Capital

Oito painéis com informações e ilustrações do caso serão expostos no  hall do Fórum por um período de 30 dias 

Mais de 400 estudantes visitaram a Exposição

A exposição de painéis com o caso emblemático da Negra Gertrudes vai estar à mostra no hall do Fórum Cível da comarca de João Pessoa, a partir da tarde desta quarta-feira (13). A exposição dos oito painéis inseriu, em 2013, o Tribunal de Justiça da Paraíba no evento denominado 7ª Primavera de Museus, promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que teve como temática 'a memória e cultura afro-brasileira'.

O caso emblemático da ‘Preta Gertrudes Maria’, escrava paraibana que recorreu à Justiça para não ser vendida em praça pública, como pagamento de uma dívida, foi o tema da exposição aberta ao público, inicialmente, no período de 23 a 26 setembro de 2013, no Museu e Cripta de Epitácio Pessoa, instalado no Palácio da Justiça. Devido ao sucesso da exposição, os painéis permaneceram desde então no Museu, para visitação pública.

São oito painéis, montados em quatro stands, que contam a história da Negra Gertrudes, e que a partir desta quarta estará à mostra para visitação pública no Fórum Cível da Capital, localizado na avenida João Machado, no Centro de João Pessoa.

Durante a exposição, o público visitante terá a oportunidade de conhecer detalhes do processo da Negra Gertrudes, com texto e imagens que são expostos através de painéis, inclusive, com ilustrações do artista plástico Flávio Tavares. Um folder com a história será distribuído aos visitantes.

A escrava Gertrudes, paraibana, alforriada, travou batalha judicial durante 14 anos para evitar que fosse vendida ilegalmente. A “Negra do Tabuleiro”, como era chamada, vendia frutas, verduras e o que mais lhe permitiam. Com cerca de 30 anos, Gertrudes Maria não quis ser vendida em praça pública e, para que isso não acontecesse, travou uma guerra judicial pela própria liberdade.

Em 1826, a escrava que era propriedade de Carlos José da Costa conseguiu comprar a própria liberdade pela metade do seu valor, sob a condição de prestar serviços ao patrão por tempo indeterminado para quitar o restante da dívida. Gertrudes, que já aproveitava a liberdade condicionada, só não contava que o seu senhor estivesse cheio de dívidas e que poderosos da Capital, inclusive do clero, quisessem recebê-la como valor devido por Carlos José da Costa.

A negra quitandeira teve que se opor a um embargo de penhora contra seu senhor, iniciado em 1828, que colocou em risco a sua liberdade parcial. Seu grande feito foi o de não ter se posicionado de forma passiva e de ter procurado de imediato o auxílio de advogados em sua defesa. Naquela época, não era comum às mulheres ou aos homens escravizados contratarem advogados ou serem representados por eles.

Na luta jurídica, que durou de1828 a 1842, Gertrudes teve que enfrentar poderosos como o carmelita Frei João da Encarnação e o Sr. José Francisco das Neves. Para isso, a escrava contou com a amizade de advogados bastante prestigiados na capital paraibana.

Gertrudes chegou a ser presa. Para conseguir a liberdade de volta, Gertrudes solicitou um novo responsável, o tenente Modesto Honorato Victor. Quatro meses depois, em abril de 1841, o mesmo credor entrou com uma “Ação em Juízo” na tentativa de vender Gertrudes e os filhos em praça pública para receber a dívida, sendo estas as últimas informações registradas sobre o caso.

Por Valter Nogueira

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