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Publicado em: 13/02/2020 - 19h12 Atualizado em: 14/02/2020 - 09h08 Tags: Castelo de Bonecas

Por uma nova vida: Reconhecido nacionalmente, o ‘Castelo de Bonecas’ já beneficiou quase 100 apenadas

Por uma nova vida: Reconhecido nacionalmente, o ‘Castelo de Bonecas’ já beneficiou quase 100 apenadas / Fotos: Ednaldo Araujo

Com exposições em feiras estaduais, nacionais e internacionais, o Projeto Castelo de Bonecas é uma das principais iniciativas de ressocialização de pessoas privadas de liberdade na Paraíba e tem o objetivo básico de inserir apenadas no mercado de trabalho. A iniciativa foi criada em 2012, na Penitenciária de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão, em João Pessoa, mas só ganhou corpo cinco anos depois, quando o Tribunal de Justiça da Paraíba deu um suporte financeiro, que proporcionou a expansão da produção de peças, com ampliação na quantidade de aviamento, no número de mulheres envolvidas, na aquisição de máquinas novas e reforma na estrutura física do ateliê, instalado em um dos pavilhões da penitenciária. 

O Castelo de Bonecas é coordenado pela juíza auxiliar da Vara de Execução Penal (VEP) da Capital, Andréa Arcoverde Cavalcanti Vaz, e conta com o apoio do TJPB, por meio de suporte financeiro disponibilizado pelo Juizado Especial Criminal da Capital (Jecrim), pelo 1ª Juizado Especial Misto de Mangabeira e pela Vara de Execução de Penas Alternativas (Vepa). 

Ao longo desses anos, as bonecas de pano foram expostas em feiras de renome nacional, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF). As peças também fazem parte do Salão do Artesanato Paraibano desde 2013, tanto em João Pessoa, quanto nas edições de Campina Grande. As bonecas produzidas pelas reeducandas ainda foram apresentadas na Fenearte, a maior feira de artesanato da América Latina, além das feiras do Centro de Convenções de Recife e da 1ª e 2ª Mostra Laboral do Sistema Prisional de Santa Catarina.

“É importante a participação do projeto nessas feiras, porque representa uma oportunidade de divulgar a iniciativa para a sociedade e, também, de proporcionar a venda das mercadorias, garantindo, dessa forma, a continuidade da ação”, destacou a juíza Andréa Arcoverde. Para adquirir os produtos, os interessados também podem entrar em contato pelo Instagram (@castelodebonecasjuliamaranhao) ou ligar para os números (83) 99807-1650 ou 98864-7923. O preço das bonecas pode variar de R$ 5,00 a R$ 50,00.

Segundo a diretora da Penitenciária Maria Júlia Maranhão, pelo Projeto Castelo de Bonecas já foram capacitadas mais de 100 mulheres. “Todas foram qualificadas. Muitas delas, em liberdade, seguem suas vidas confeccionando e vendendo bonecas, como fonte de sustentação familiar”, informou, acrescentando que já está sendo criado um link para que essas mulheres possam se cadastrar como artesãs. “Tem sido um projeto muito proveitoso, no qual as próprias apenadas ensinam outras reeducandas a confeccionar as bonecas de pano”, explicou. Atualmente, 14 mulheres trabalham no Castelo de Bonecas.

Natural de João Pessoa, a reeducanda Maria da Penha Conceição Alves, mãe de duas filhas, cumpre pena na Penitenciária Júlia Maranhão por tráfico de drogas. Ela está há quatro anos e sete meses em regime fechado e faz parte do Projeto Castelo de Bonecas há três anos. “Para mim, é muito bom poder participar. É uma oportunidade de trabalhar, aprender uma profissão e ocupar nossa mente com algo produtivo. Trabalhamos os dois expedientes, com intervalo para o almoço”, disse, informando que o grupo consegue produzir, semanalmente, encomendas de até 300 peças. 

Todas as integrantes do Castelo de Boneca recebem sua parte financeira depositada em  conta bancária que os familiares têm acesso. Maria da Penha foi condenada a 16 anos de prisão, mas pode ganhar liberdade condicional no final deste ano. “Eu sou reincidente e voltei para a prisão, justamente por não ter a possibilidade de trabalhar. Antes, eu pagava pena no semiaberto e não tinha dinheiro do ônibus para voltar todas às noites ao presídio para dormir, já que eu morava no Bairro do Marcos Moura, em Santa Rita. Com fé em Deus, vou cumprir minha sentença e tenho, agora, uma oportunidade de trabalho. Não quero mais voltar”.

Por Fernando Patriota/Gecom-TJPB





 

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