Capacitação para famílias acolhedoras é iniciada no Juizado da Infância e da Juventude da Capital
Neste primeiro dia de capacitação, as famílias contaram com a explanação feita pela coordenadora do Serviço de Acolhimento Familiar, Suely Luna, que abordou conceitos de acolhimento; apresentou o Serviço, frisando as diferenças entre este e o processo de adoção; e explicou como será feito todo o acompanhamento após o recebimento das crianças e adolescentes nos lares. Na quinta-feira (08), o treinamento terá seguimento com o conteúdo jurídico, a ser apresentado pelas equipes do Setor de Acolhimento e da 1ª Vara da Infância e da Juventude de João Pessoa.
Suely Luna explicou que a capacitação é importante, tanto para sensibilizar as famílias, quanto para tirar todas as dúvidas. “A nossa intenção é capacitar essas famílias para acolher, e sensibilizá-las. Nós fizemos o cadastro, fomos investigar se elas, realmente, estão aptas para acolher, e, agora, fazemos esses dois dias de capacitação. Essa é uma fase muito importante para que as pessoas entendam que o serviço de acolhimento não é o mesmo que adoção, é temporário. A criança fica na família acolhedora durante um período de dois meses a dois anos, enquanto se buscam meios de reintegrá-la à família de origem”, esclareceu.A psicóloga Vitória Régia Oliveira, do Setor de Acolhimento do Juizado da Infância e da Juventude, acrescentou que o treinamento é indispensável, também, para que as famílias saibam como proceder, visto que esse é um serviço que visa proteger crianças e adolescentes que estão passando por situação de direitos violados.
“Deixamos claro que a família acolhedora é uma modalidade de acolhimento. As crianças e adolescentes que, em último recurso, são tirados do seio familiar para o acolhimento, têm os direitos violados por estarem em situação de risco, vulnerabilidade, abuso, negligência ou abandono. Então, eles precisam ser protegidos e aí entra o Estado para promover o acolhimento e preservar os direitos. Estamos valorizando o acolhimento familiar, porque é uma forma mais humanizada. Bom para as crianças e bom para as famílias”, afirmou a Vitória Régia.
Estela Rodrigues participa do programa de família acolhedora e, há cerca de sete meses, abriga uma criança em seu lar. Ela já passou pela fase de capacitação, mas esteve presente na palestra desta quarta-feira (07) e deu o seu depoimento. “Eu tive conhecimento do Serviço de Acolhimento Familiar através do Conselho Tutelar, me inscrevi, participei da capacitação, de entrevistas, fizeram visitas à minha casa, e consultas sobre o apoio da minha família. Todo o processo durou cerca de sete meses até que a criança chegou à minha casa”, afirmou, ressaltando que vale a pena.“Hoje, vivo essa experiência de oferecer carinho e amor, mesmo sabendo que, em algum momento, ela vai voltar à sua família. Graças a Deus, apesar de ter chegado tão pequena e desprotegida, agora ela está uma criança linda e muito carinhosa. É isso que a gente tem a dar, se a família pode ajudar, deve fazer isso. Futuramente, se aparecer outra oportunidade, pretendo continuar participando desse projeto, porque é muito amor que a gente tem e pode ser distribuído para muitos”, concluiu Estela.
Por Marília Araújo (estagiária)






