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Publicado em: 03/05/2021 - 18h47 Atualizado em: 04/05/2021 - 10h18 Comarca: João Pessoa Tags: Comissão de Segurança, Webinário, Segurança e Autodefesa

Em webinário sobre segurança, especialista traça perfil de vítimas e aponta como bandidos escolhem seus alvos 

“O papel do criminoso é fazer o mal: matar, roubar, destruir. Cabe a vítima dificultar a ação do criminoso”. Foi com essa definição do papel de cada um que o coronel Onivan Elias começou o Webinário “Segurança e Autodefesa” realizado nesta quinta-feira (29/04) pelo Tribunal de Justiça da Paraíba, através da plataforma Zoom. Com o tema “É um assalto! E se eu reagir?”, o evento teve a participação de pessoas de tribunais estaduais e de outras instituições como TRT, UFPB, PM e OAB. A palestra sobre Segurança Pública foi idealizada pelo Presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, Desembargador Saulo Henriques de Sá e Benevides, que foi representado pela vice-presidente, Desembargadora Maria das Graças Morais Guedes. 

“Foi uma exposição muito importante. Trouxe muito conhecimento, principalmente, para quem atua na área criminal. O coronel deu uma demonstração de que conhece profundamente a matéria. A segurança é um tema atual que nos preocupa muito e a realização de palestras e cursos que possam nos trazer mais conhecimentos está em consonância com a orientação do Conselho Nacional de Justiça”, afirmou a vice-presidente do TJ, Desembargadora Maria das Graças. 

O coronel Onivan Elias lembrou que o pensamento da vítima é: “Isso nunca vai acontecer comigo”. Ele apresentou dados de pesquisas, traçou um perfil das vítimas preferidas dos criminosos e revelou como eles escolhem seus alvos. De acordo com o coronel, uma pesquisa americana mostra que diferente do que se pensa as mulheres franzinas não são as vítimas preferidas dos bandidos, e sim, homens corpulentos. A explicação seria o fato de as mulheres serem imprevisíveis. “Elas gritam, esperneiam, chamam a atenção. Isso é tudo que os criminosos não querem. Já os homens, até por machismo, ficam mais silenciosos”, diz o coronel. 

No processo de escolha das vítimas os criminosos tendem a abordar pessoas que caminham devagar, que são desatentas ou que estão em estado de contemplação. “São alvos que não percebem o que está acontecendo ao seu redor”, assegura o coronel Onivan. Pessoas que usam celular na rua, que estão carregando sacolas, ostentando joias, com vidro do carro baixo mostrando pertences ou que são solitárias são as vítimas preferidas dos ladrões", assegura o especialista em segurança. 

O coronel mostrou casos em que as vítimas reagiram a assaltos e não sofreram consequências e outros em que não reagiram e foram vítimas de disparos de armas de fogo. “No momento do roubo a vítima não pensa, ela é puro instinto. O comportamento que ela adota é que vai estimular de forma inconsciente a ação do bandido” afirma o coronel, que acrescenta que a mente do criminoso perde o foco por alguns segundos abrindo uma janela de oportunidade para a vítima, aquele é o momento da reação. 

O coronel finalizou alertando que os dois extremos “nunca reaja” ou “sempre reaja” não garantem a sobrevivência da vítima. Segundo ele, os fatores que influenciam na sobrevivência de quem reage a um assalto são a sorte (a arma do bandido falha), treinamento mental e prático, e a inversão da surpresa. “Quem faz um treinamento, se prepara para reagir a um assalto, tem melhor condições de sobreviver quando ele acontece”, garantiu.

O juiz auxiliar da Presidência, Rodrigo Marques, considerou a palestra muito enriquecedora e disse que uma reação com parâmetros, consciente do que se faz pode levar ao êxito. O juiz prometeu levar à Presidência a solicitação de participantes do webnário para que seja realizado um curso sobre segurança especificamente para oficias de justiça. 

Por Walquiria Maria-Gecom/TJPB